À CONVERSA COM ÁLVARO CURIA: NARRAR O TRAUMA, ESCREVER A DOR. turma T1
Apresentação
A partir do romance No Brasil não há leões (publicado a 3 de setembro de 2025), o autor propõe uma conversa sobre a narração do trauma como reconstrução identitária, no modo como o narrador adulto reorganiza a infância fragmentada para compreender quem se tornou, e no trabalho da linguagem como enfrentamento - nomear o abuso e a violência para retirar-lhes o poder do silêncio. Álvaro Curia focar-se-á ainda no bullying enquanto violência estrutural na infância e adolescência, na perspetiva da criança traumatizada: lapsos, repetições e distorções como marcas formais da memória ferida, no luto e na libertação: quando a perda desagrega a família e expõe fragilidades já existentes, no abandono como trauma fundador: o impacto da ausência de figuras de proteção no desenvolvimento emocional, na ética da escrita sobre a dor: entre denúncia, exposição e responsabilidade literária, e no papel da escola (e também dos professores e outros agentes educativos) perante o sofrimento invisível: reconhecer sinais de bullying, criar espaços de escuta e promover uma cultura de cuidado. O escritor abordará ainda outros tópicos normalmente discutidos nas sessões que realiza em escolas, com enfoque no processo de escrita e da leitura e literatura no mundo das redes sociais, considerando a mudança do suporte: da página ao ecrã, a transição da leitura linear para a leitura fragmentada, o impacto dos formatos breves (posts, reels, threads) na receção literária. Em suma, procurar-se-á responder à questão: A literatura perde profundidade ou ganha novos leitores? O autor, e par do Literacidades, analisará o Bookstagram e a criação de comunidades de leitura, o papel do Instagram e do Goodreads na promoção de livros, e os fenómenos editoriais impulsionados pelas redes. A autoridade crítica desloca-se dos suplementos culturais para os criadores de conteúdo? O algoritmo favorece determinados géneros (romance, fantasia, young adult)? Por fim, o autor fala do papel dos escritores enquanto criadores de conteúdo, da exigência de presença digital para autores contemporâneos, da tensão entre criação literária e autopromoção, e do impacto na construção da imagem pública do escritor.
Destinatários
Educadores de Infância, Professores do Ensino Básico, Secundário e Educação Especial
Releva
Para os efeitos previstos no n.º 1 do artigo 8.º, do Regime Jurídico da Formação Contínua de Professores, a presente ação releva para efeitos de progressão em carreira de Educadores de Infância, Professores do Ensino Básico, Secundário e Educação Especial. Para efeitos de aplicação do artigo 9.º, do Regime Jurídico da Formação Contínua de Professores (dimensão científica e pedagógica), a presente ação não releva para efeitos de progressão em carreira.
Objetivos
A partir do romance No Brasil não há leões, o escritor propõe dialogar com professores, educadores e público-geral sobre: - A narração do trauma como reconstrução identitária. - A linguagem como enfrentamento: nomear o abuso e a violência para retirar-lhes o poder do silêncio. - O bullying enquanto violência estrutural na infância e adolescência. - O papel da escola perante o sofrimento invisível: reconhecer sinais de bullying, criar espaços de escuta e promover uma cultura de cuidado.
Conteúdos
A narração do trauma como reconstrução identitária: como o narrador adulto reorganiza a infância fragmentada para compreender quem se tornou. A linguagem como enfrentamento: nomear o abuso e a violência para retirar-lhes o poder do silêncio. O bullying enquanto violência estrutural na infância e adolescência. A perspetiva da criança traumatizada: lapsos, repetições e distorções como marcas formais da memória ferida. Luto e libertação: quando a perda desagrega a família e expõe fragilidades já existentes. O abandono como trauma fundador: o impacto da ausência de figuras de proteção no desenvolvimento emocional. A ética da escrita sobre a dor: entre denúncia, exposição e responsabilidade literária. O papel da escola perante o sofrimento invisível: reconhecer sinais de bullying, criar espaços de escuta e promover uma cultura de cuidado.
Observações
Sobre o autor - Filho de mãe brasileira e pai português, diz-se de nacionalidade atlântica com coração portuense. Autor, jornalista, professor na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Doutorou-se em História, frequenta o mestrado em Português Língua Estrangeira, com forte componente opcional de estudos literários. Como jornalista, trabalhou na RTP, no JN e na Greenpeace, em Amesterdão. Cofundou, em 2019, o Literacidades, perfil dedicado à promoção de hábitos de leitura e divulgação literária. Tem publicado vários textos literários em manuais de escrita, crónicas, artigos de opinião e de índole científica. Publicou, na Manuscrito, em fevereiro de 2024, o romance Filhos da Chuva.
Formador
Paulo Roberto Nóbrega Serra